Publicações

Tem plano de saúde e o hospital está te cobrando na Justiça pelas despesas? Sua defesa passo a passo

Recebeu uma citação ou ação de cobrança do hospital por uma conta que era do plano de saúde? Você tem prazo e tem defesa. Veja o passo a passo para se defender e não perder o prazo.

VOCÊ FOI CITADO – RESPIRE E AJA

Tem plano de saúde e o hospital está te cobrando na Justiça pelas despesas? Sua defesa passo a passo.

Receber uma ação de cobrança hospitalar assusta, mas não é uma condenação. Quando o paciente possui plano de saúde a dívida costuma cair. Você só não pode ficar aparado.
EM 30 SEGUNDOS 

Ser processado não é o mesmo que dever: a cobrança ainda será julgada. Há um prazo curto para se defender. Ignorar é o maior erro.Com a defesa certa, esse tipo de cobrança costuma ser julgado improcedente.
O relógio começou a correr. A partir da citação, você tem um prazo curto, em regra, cerca de 15 dias, conforme o tipo de ação, para apresentar a sua defesa. Perder esse prazo pode levar à revelia (o juiz pode aceitar a cobrança como verdadeira) e abrir caminho para penhora. Por isso, ao receber a citação, procure um advogado especialista em direito da saúde imediatamente.

Você fez um tratamento de saúde, recebeu alta, e, em vez de cobrar do plano de saúde, o hospital resolveu cobrar de você e ainda foi à Justiça. É angustiante, mas a boa notícia permanece: na maioria dos casos, essa cobrança é indevida. A diferença agora é que existe um processo, com regras e prazos. Vamos ao que importa.

Calma: ser processado não é o mesmo que dever

Receber a citação de uma ação de cobrança (ou de uma ação monitória) significa apenas que o hospital pediu ao juiz que você pague, não que a dívida seja válida. O termo de responsabilidade e a nota fiscal, sozinhos, não provam um débito legítimo. Quem dá a palavra final é o juiz, depois de ouvir a sua defesa. E é justamente nessa defesa que a cobrança costuma ruir.

O relógio está correndo: não perca o prazo

Esse é o ponto mais urgente. Dependendo do tipo de ação, a sua defesa tem um nome diferente:

  • Ação de cobrança (procedimento comum): a defesa é a contestação.
  • Ação monitória (quando há um documento de dívida): a defesa são os embargos monitórios.

Em ambos os casos, o prazo é curto e, se você não responder, o processo pode seguir à sua revelia, com risco de a dívida ser confirmada e de penhora de bens ou valores. Não tente resolver sozinho no balcão do hospital nem assine acordo no susto: leve a citação e a inicial (a “petição” que você recebeu) a um advogado especialista em direito da saúde o quanto antes.

Por que essa cobrança existe (e por que ela é frágil)

Há um triângulo: você, o plano de saúde e o hospital. O hospital credenciado deveria cobrar do plano de saúde. Quando o plano de saúde aplica a glosa (deixa de pagar parte da conta), quase sempre depois do atendimento, às vezes sobre algo que ele mesmo havia autorizado antes, o hospital tenta jogar a conta em você. Transferir esse risco ao paciente é ilegal e fere a boa-fé.

O raio-X da fatura: o que estão cobrando de você

Olhe a conta com atenção. Estando indicado pelo médico, praticamente tudo ali é responsabilidade do plano de saúde, e não deveria estar no seu boleto:

O QUE NÃO É PARA VOCÊ PAGAR

Materiais OPME (órteses, próteses e materiais especiais)
Medicamentos, inclusive os de alto custo
Exames e procedimentos diagnósticos
Cirurgias e procedimentos em geral
Gasoterapia (gases medicinais, como o oxigênio)
Diárias (enfermaria, apartamento, UTI)
Taxas gerais
Taxas de Utilização de Equipamentos Especiais 
Honorários médicos 
Dentre outros

Sua defesa, camada por camada

São os argumentos que entram na sua defesa: 

CAMADA 1 – Autorização prévia e boa-fé

Se o procedimento foi autorizado, o plano de saúde não pode voltar atrás depois (pela auditoria interna) e empurrar a conta para você. Essa “desautorização” após o fato viola a boa-fé objetiva.

CAMADA 2 – O termo que você assinou não é um cheque em branco

O termo de responsabilidade (ou de corresponsabilidade financeira) assinado na entrada, com um ente querido em risco, enquadra-se no estado de perigo (art. 156 do Código Civil): obrigação excessivamente onerosa assumida para salvar alguém é anulável. Some-se a isso que termos genéricos, sem valores e com linguagem vaga, violam o Código de Defesa do Consumidor.

CAMADA 3 – Caução e cheque-caução são proibidos

Exigir garantia para atender é ilegal, logo, e condicionar atendimento de emergência a cheque-caução, garantia ou formulários é crime (art. 135-A do Código Penal).

CAMADA 4 – Honorários da equipe médica e o “descredenciamento silencioso”

Em hospital credenciado, os honorários da equipe (cirurgião, anestesista, auxiliares e instrumentador) são do plano de saúde. O descredenciamento silencioso, quando um profissional não é credenciado e ninguém te avisa, torna frágil a cobrança particular desses honorários.

Mito × Verdade

O MITO (o que te dizem) A VERDADE (o que diz a lei)
“Fui citado, então vou ter que pagar.” Não. Citação é o começo do processo judicial, com defesa técnica, a cobrança costuma cair.
“O termo que assinei vale como dívida.” Assinado em estado de perigo, é anulável, não é confissão de dívida.
“A auditoria glosou; o problema é meu.” Revogar autorização já dada e te cobrar fere a boa-fé, pois o risco é do plano de saúde.
“Vão penhorar meus bens já.” A penhora depende de condenação e da ausência do pagamento, defendendo-se no prazo, você evita esse caminho.
“O hospital precisa receber de alguém.” Sim. No caso do plano de saúde, a quem é credenciado, e não de você.

Vire o jogo: você também pode cobrar de volta

Defender-se não é só dizer “não devo”. Na própria ação você pode pedir: a declaração de que a dívida é inexistente, a retirada da negativação e indenização por dano moral. E, se houve erro médico ou falha do serviço, a responsabilidade se inverte: o hospital e o médico é que respondem perante você.

Seu plano de ação ao ser citado

Recebeu a citação? Siga esta ordem, sem perder tempo:

  1. Não ignore e não assine acordo no susto. O silêncio é o que mais prejudica.
  2. Anote a data em que foi citado pelos correios ou pelo oficial de justiça, é dela que corre o prazo de defesa.
  3. Reúna os documentos (lista abaixo), incluindo a petição inicial que você recebeu.
  4. Procure já um advogado especialista em direito da saúde, ele apresenta a defesa.
  5. Peça também a proteção do seu nome, para impedir ou retirar a negativação enquanto se discute a dívida.
DOCUMENTOS QUE VALEM OURO

A petição inicial e o comprovante/AR da citaçãoA autorização prévia (senha/guia, e-mail ou print do aplicativo)A conta hospitalar discriminada e a fatura/boletoO relatório médico, o prontuário e a negativa do plano de saúde por escritoOs comprovantes de pagamento das mensalidades (plano de saúde pago em dia)

Perguntas frequentes

Fui citado pelo hospital. O que faço primeiro?

Não assine acordo nem ignore. Anote a data da citação, junte a petição inicial e procure um advogado imediatamente, o prazo de defesa é curto.

Qual é o prazo para me defender?

Costuma ser de cerca de 15 dias, mas varia conforme o tipo de ação e a data marcada. Por isso a pressa: confirme o prazo com um advogado especialista em direito da saúde assim que for citado.

Se eu não fizer nada, o que acontece?

O processo pode correr à sua revelia, a dívida pode ser confirmada e o hospital pode buscar penhora. Defender-se no prazo evita isso.

Vão penhorar meus bens ou minha conta?

A penhora depende de uma condenação e do não pagamento da dívida. Apresentando defesa no prazo, você combate a cobrança antes de chegar a esse ponto.

Posso ser preso por essa dívida?

Não. Dívida hospitalar é dívida civil, não leva à prisão.

Já me negativaram. Dá para reverter?

Sim. É possível pedir a retirada do nome do SPC/Serasa por liminar e indenização por dano moral.

O hospital pode mesmo me cobrar tendo eu plano de saúde?

Em regra, não. Sendo credenciado, deve cobrar do plano de saúde. Repassar a você a conta de um atendimento coberto e autorizado costuma ser abusivo.

Foi processado pelo hospital? O prazo está correndo, fale agora.

Assumimos a sua defesa na ação, pedimos a anulação da dívida, a retirada da negativação e a devida reparação.  

WhatsApp: (19) 99369-9793  •  Atendimento online em todo o Brasil.

Aviso: conteúdo informativo, não substitui a análise individual do caso. Cada cobrança deve ser avaliada à luz dos documentos e das normas vigentes. Arruda & Baldez Advogados – Direito Médico e da Saúde.

Rolar para cima