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Perjeta (Pertuzumabe) pelo Plano de Saúde e SUS: Preço e Negativa

Perjeta (pertuzumabe) no câncer de mama HER2+: quando o plano de saúde deve cobrir, preço, o que mudou no SUS em 2026 e o que fazer se negar.

Perjeta (pertuzumabe) pelo plano de saúde e pelo SUS: cobertura, preço e o que fazer se negar

O Perjeta (pertuzumabe), da Roche, é um dos pilares do tratamento do câncer de mama HER2-positivo. Junto com o trastuzumabe (Herceptin), forma o chamado “duplo bloqueio”. Mesmo sendo um medicamento usado há mais de uma década, ainda gera negativas, em geral por confusão sobre a regra aplicável. A seguir, uma análise objetiva do que diz a bula, os estudos, a regra dos planos e o que o SUS oferece hoje.

FICHA RÁPIDA

Princípio ativo / marcaPertuzumabe / Perjeta® (versão subcutânea combinada: Phesgo®)
FabricanteRoche
Para que serveCâncer de mama HER2+: metastático (1ª linha), antes da cirurgia e após a cirurgia em alto risco
Como se usaNa veia, em clínica ou hospital: 840 mg na primeira dose e 420 mg a cada 3 semanas
Preço (CMED 09/09/2026)Frasco de 420 mg: R$ 15.665,18 (preço de fábrica) / R$ 12.292,47 (preço máximo ao governo)
Plano de saúdeNas indicações da bula, regra da quimioterapia feita em clínica
SUSSó no metastático com metástase em órgãos; não incorporado antes da cirurgia

Como o pertuzumabe age?

A proteína HER2 funciona como uma “antena” que estimula o tumor a crescer. O trastuzumabe e o pertuzumabe se ligam a pontos diferentes dessa antena. Juntos, bloqueiam o sinal de forma mais completa, daí o nome “duplo bloqueio”. O pertuzumabe é sempre usado com o trastuzumabe e com quimioterapia.

Indicações, evidência e cobertura

Indicação (bula)Principal estudoBase para a cobertura
Metastático HER2+, 1ª linha, com trastuzumabe e docetaxelCLEOPATRA: sobrevida mediana de 57,1 × 40,8 mesesRegra da ANS (uso em bula)
Antes da cirurgia: localmente avançado, inflamatório ou inicial de alto riscoNeoSphere: desaparecimento do tumor na cirurgia em 45,8% × 29,0%Regra da ANS (uso em bula)
Depois da cirurgia, alto riscoAPHINITY (11 anos): benefício concentrado em pacientes com linfonodos comprometidosRegra da ANS (uso em bula)
Nota de transparência: na análise final do APHINITY, o ganho em sobrevida após a cirurgia foi pequeno (cerca de 2 pontos percentuais em 10 anos) e ficou concentrado nas pacientes com linfonodos comprometidos, sem linfonodos comprometidos, não houve benefício. Nesse grupo, o plano de saúde pode questionar a indicação, o relatório deve explicar por que a paciente é de alto risco.

Como é o tratamento, fase por fase

FaseComo costuma serPor que o tempo importa
Antes da cirurgiaAlguns ciclos de pertuzumabe + trastuzumabe + quimioterapia, a cada 3 semanasA cirurgia é marcada para o fim dos ciclos
Depois da cirurgiaPertuzumabe + trastuzumabe até completar, em regra, 1 ano de tratamento anti-HER2; se sobrar doença após a cirurgia, o médico pode trocar o esquemaInterrupções podem comprometer o esquema
Doença metastáticaPertuzumabe + trastuzumabe + docetaxel; depois, os dois anticorpos enquanto houver benefícioTratamento contínuo

Esquemas ilustrativos. O protocolo de cada paciente é definido pelo oncologista.

Quanto custa o Perjeta?

Na lista da CMED (órgão que fixa o preço máximo dos remédios no Brasil) de 09/09/2026, o frasco de 420 mg custa R$ 15.665,18 (preço de fábrica) e R$ 12.292,47 (preço máximo de venda ao governo). Um ano de tratamento (a primeira dose dupla e mais 17 doses) usa cerca de 19 frascos, aproximadamente R$ 298 mil pelo preço de fábrica (ou R$ 234 mil pelo preço ao governo) só com o pertuzumabe, sem contar o trastuzumabe e a quimioterapia. Para comparação, a proposta da fabricante ao SUS foi de R$ 5.629,27 por frasco. Não há versão biossimilar do pertuzumabe registrada no Brasil até setembro de 2026.

A regra de cobertura que costuma ser ignorada

Muitos textos tratam o pertuzumabe como remédio “fora do rol”. Não é esse o enquadramento nas indicações da bula. A ANS cobre a quimioterapia feita em clínica ou hospital (chamada de quimioterapia ambulatorial), qualquer que seja a forma de aplicação, desde que o remédio tenha registro na Anvisa e seja usado conforme a bula. Não há lista com o nome de cada remédio, nem diretriz específica para o pertuzumabe.

Na prática: nas três indicações da bula, a recusa com base em “não está no rol” não encontra apoio na regra da ANS. Já o uso fora da bula (outras combinações ou linhas de tratamento) segue os critérios definidos por uma lei de 2022 e pelo STF.

Essa cobertura vale para planos de saúde com atendimento ambulatorial (consultas, exames e tratamentos fora da internação), sejam individuais, familiares, coletivos por adesão ou empresariais. No plano de saúde só hospitalar, a quimioterapia é coberta durante a internação ou como continuação dela. Contratos muito antigos, anteriores a 1999 e não adaptados, podem ter regras próprias.

Phesgo. A versão subcutânea que combina pertuzumabe e trastuzumabe (Phesgo), aprovada pela Anvisa em dezembro de 2021, segue a mesma lógica: aplicada em clínica e conforme a bula, entra na quimioterapia ambulatorial.

NA JUSTIÇA
Em 2025, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal manteve a condenação de uma operadora que havia negado o Phesgo alegando uso fora da bula: o quadro da paciente correspondia às indicações do medicamento O Superior Tribunal de Justiça lembra, porém, que a recusa indevida não gera indenização automática: o dano precisa ser demonstrado.

Novidade de 2026: pertuzumabe com Enhertu

Em maio de 2026, a Anvisa aprovou o Enhertu (trastuzumabe deruxtecana) com pertuzumabe na primeira linha do câncer de mama HER2+ metastático, com base no estudo DESTINY-Breast09 (tempo mediano até a doença piorar de 40,7 × 26,9 meses em relação ao esquema tradicional). A combinação consta da bula do Enhertu, por isso, o relatório médico deve citar essa bula expressamente, já que a do Perjeta não menciona esse parceiro.

Plano de saúde × SUS

SituaçãoPlano de saúdeSUS
Metastático, 1ª linhaRegra da quimioterapia ambulatorialOferecido desde 2017, mas só com metástase em órgãos (não apenas no cérebro), conforme as diretrizes do Ministério da Saúde
Antes da cirurgiaRegra da quimioterapia ambulatorial (bula)Não incorporado (decisão de fevereiro de 2026)
Depois da cirurgiaRegra da quimioterapia ambulatorial (bula)Sem incorporação localizada
Phesgo (subcutâneo)Regra da quimioterapia ambulatorial (bula)Não incorporado (decisões de outubro de 2024)

Segurança

Os efeitos mais comuns são diarreia, queda de cabelo, queda de glóbulos brancos, náusea e cansaço. Como o duplo bloqueio pode afetar o coração, a bula exige avaliar a força de bombeamento do coração (fração de ejeção, por ecocardiograma ou cintilografia) antes e periodicamente, em geral a cada 3 meses. Esses exames também fazem parte da cobertura do tratamento.

Diante de uma negativa: checklist

  • Negativa por escrito, com o motivo (as regras da ANS obrigam o plano a informar).
  • Relatório do oncologista: diagnóstico HER2+, estágio, linfonodos, fase do tratamento e indicação da bula.
  • Laudos da biópsia e do HER2, exames de imagem e ecocardiograma.
  • Receita, carteirinha, contrato e comprovantes de pagamento.
  • Reclamação na ANS, site ou 0800 701 9656.
  • Orientação jurídica para avaliar os caminhos possíveis.

Perguntas frequentes

O plano de saúde cobre o Perjeta?

Nas indicações da bula (metastático, antes e depois da cirurgia em alto risco), a cobertura tem base na regra da ANS para a quimioterapia aplicada em clínica.

O pertuzumabe está no rol da ANS?

Não aparece com o próprio nome, e não precisa: remédios contra o câncer aplicados em clínica entram na regra geral.

Qual a diferença entre Perjeta e Herceptin?

São anticorpos diferentes contra o HER2 e atuam em pontos distintos da proteína, costumam ser usados juntos.

O plano de saúde pode negar o Perjeta antes da cirurgia?

O uso antes da cirurgia é indicação de bula, a recusa por “fora do rol” não encontra apoio na regra da ANS.

O SUS oferece o pertuzumabe?

Sim, no metastático com metástase em órgãos. Para o uso antes da cirurgia, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar (fevereiro de 2026).

O Phesgo é coberto pelo plano de saúde?

Aplicado em clínica e conforme a bula, segue a mesma regra da quimioterapia ambulatorial.

Quanto custa o Perjeta?

R$ 15.665,18 o frasco de 420 mg (preço de fábrica, CMED em setembro de 2026), um ano de tratamento custa cerca de R$ 298 mil pelo preço de fábrica, só com o pertuzumabe.

Existe biossimilar do Perjeta no Brasil?

Não localizamos registro até setembro de 2026.

Quanto tempo demora uma decisão judicial?

Não há prazo fixo. Pedidos urgentes costumam ter prioridade, mas o tempo varia.

Se eu pagar do próprio bolso, posso recuperar?

Se a negativa for considerada indevida, é possível buscar o ressarcimento. Guarde notas, recibos e a negativa por escrito.

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Aviso: conteúdo informativo e jurídico, não é orientação médica. As informações clínicas baseiam-se em fontes oficiais e podem mudar, confirme com o seu médico e verifique as normas vigentes. Cada caso é avaliado individualmente. Arruda & Baldez Advogados – Direito Médico e da Saúde.

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